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O bitcoin expande suas fronteiras


Como os principais bancos do mundo estão estudando a tecnologia por trás da moeda virtual, que pode revolucionar as transações financeiras

16/12/2016

Criado em 2009 por programadores anônimos, o bitcoin se transformou rapidamente na principal moeda virtual do mercado global. Mas o que os idealizadores do bitcoin não imaginavam é que sua finalidade poderia ir muito além daquilo que foi planejado. É o que estão descobrindo bancos ao redor do mundo, interessados no software que faz a moeda funcionar. Batizada de blockchain, essa tecnologia permite controlar processos e reduzir os custos de operação. Nos últimos três anos, o setor financeiro investiu US$ 1,4 bilhão em pesquisas sobre a tecnologia, de acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial. Os bancos americanos Goldman Sachs e Citi, os europeus Santander e UBS, e os brasileiros Itaú e Bradesco já estão fazendo testes com a ferramenta.

O blockchain está chamando atenção do setor financeiro pois pode acabar com intermediários em uma transação. Atualmente, quando uma pessoa transfere dinheiro para outra, a informação é enviada para o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPE), que certifica a operação. Essa transação, em alguns casos, pode demorar até quatro dias. Com a tecnologia do bitcoin, não há necessidade de um intermediário. “O blockchain vai revolucionar o mercado”, diz Scott Riley, fundador da consultoria britânica especializada em compensação Lambda Clearing Designs. “O impacto disso será a redução da exposição a riscos, maior velocidade de negociações e maior eficiência em alocação de capital.”

Há ainda uma série de desafios para que o blockchain revolucione o setor financeiro. Uma delas é o estabelecimento de um padrão único que possa ser usado por todos os bancos. Há, atualmente, 45 consórcios defendendo diferentes modelos de plataformas baseadas em blockchain. O Bradesco, o Itaú e a BM&FBovespa, por exemplo, se associaram ao R3, que reúne 70 grandes instituições financeiras, como o Bank of America Corp., J.P. Morgan Chase e State Street Corp. O espanhol Santander e o americano Goldman Sachs estavam com essa turma toda, mas resolveram deixar o R3, abrindo uma cisão no grupo. “O blockchain ainda não está pronto”, diz Richard Flávio da Silva, superintendente executivo de tecnologia do Santander, que faz um projeto-piloto de envio de dinheiro ao exterior para os funcionários da instituição no Reino Unido.

No Brasil, os bancos estão na fase inicial de testes, mas já vislumbram algumas funcionalidades da tecnologia. O Bradesco, por exemplo, possui uma equipe de internet que estuda projetos de blockchain. Além disso, a eWally e a BitOne, duas startups financeiras selecionadas por seu programa de inovação, o InovaBRA, também pesquisam a tecnologia. “Estamos estudando uma solução de carteira eletrônica para não-bancarizados, onde o blockchain pode ser utilizado para registro das informações”, afirma Rony Sakuragui, gerente do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco. “Isso pode permitir a alguém sem conta no banco transferir ou receber dinheiro.” O Itaú Unibanco deve ter aplicações no começo de 2018. “Vamos simplificar os boletos no Brasil, a forma como se envia dinheiro para fora e questões internas, para dar mais segurança”, diz Thiago Charnet, diretor de arquitetura de informação do Itaú Unibanco.

O mercado financeiro não será o único a se beneficiar do blockchain. A IBM, por exemplo, está trabalhando no Brasil para um grupo de empresas do setor de bens de consumo que usará a tecnologia do bitcoin para gerir toda a cadeia de produção e organizar os pagamentos de fornecedores, estoques e controle de qualidade dos produtos. É possível, por exemplo, unificar em um só código desde a primeira peça fabricada para um veículo até a venda do carro completo em uma concessionária. Já a empresa brasileira de serviços de tecnologia Tivit começou um projeto-piloto, em setembro, com o uso do blockchain para realizar gestão de contratos com dezenas de seus prestadores de serviços. “Eliminamos a burocracia e o processo de reconhecimento de firma nos cartórios”, diz Fabiano Droguetti, diretor de operações da área de gestão de infraestrutura de tecnologia da Tivit. “Todos agora assinam o contrato ao mesmo tempo.” Além de usar a tecnologia internamente, a empresa oferecerá essa solução para seus clientes no segundo trimestre de 2017.

 

 

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